quinta-feira, agosto 10, 2006

Nilvânia Mirelly Amorim De Barros

O CONHECIMENTO DO "EU MESMO" BRASILEIRO,

A UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE.


O problema da "identidade nacional" é uma questão discutida no Brasil desde sua independência e reorganização político-administrativo do Império, e até hoje é tema de assíduo debate, devido as muitas divergências, em ciências sociais. Afinal, o que é ser brasileiro? Ou será que faz sentido falar deste ser? Se olharmos para o aspecto geográfico, simbólico (bandeira), jurídico (leis, constituição), monetário, as perguntas são de fácil resposta. Mas a questão está no consenso de certos valores, e na diferença entre ele e outros valores.

Devido as diferentes indagações muitos têm duvidado tanto da coesão brasileira, quantos da diferença específica do Brasil. Dúvidas do tipo: (a) como haver consenso de base num país caracterizado historicamente por consideráveis desigualdades econômicas, sociais, culturais e políticas? (b) como ter o nível nacional um significado central se o que se observa é o crescimento das identidades locais? (c) ou também não será o nível nacional visto superficialmente devido ao crescente e desigual cosmopolitismo da cultura? Uns negam a existência, atual ou anterior, de uma identidade nacional brasileira, já outros pensam que esta posição de inexistência é insuficiente, pois não há como negar o florescente discurso que se vê na imprensa de que: a Nação assiste estarrecido tal acontecimento. No rastro desta ontologização da Nação, muitos brasileiros se imaginam portadores de uma identidade nacional.

Entre os intelectuais, no campo da antropologia, que teorizam a formação etnológica brasileira a divergência persiste. Dentre muitas posições temos em destaque: (a) a corrente que defende a fusão das três raças, que tem Gilberto Freyre como seu maior representante, estimando que a mestiçagem é uma resposta positiva e compatível com os valores e ideais da sociedade brasileira, enriquecendo-a, (b) uma segunda corrente, com Florestan Fernandes e Helbert Baldus, que liga-se aos estudos sobre aculturação e a mudança cultural que surgiram no Brasil após a década de 30. Tem-se também a noção de Transfiguração Étnica, de Darcy Ribeiro, que criticando o conceito de aculturação propõe essa idéia de transfiguração, mas por não ter uma metodologia inovadora pode ocupar uma posição entrelaçada entre a segunda e a terceira corrente, (c) a terceira corrente, Roberto Cardoso de Oliveira e Roberto da Matta, criticam radicalmente o conceito de aculturação, e propõe substituí-lo pela noção de Fricção Interétnica, com uma abordagem sociológica do contato interétnico, considerando como ideologia a noção de identidade étnica.

Posicionamentos do tipo de que a identidade nacional brasileira não é uma só, pois suas dimensões políticas e culturais não têm caminhado juntas, ou que o advento de uma identidade forte tem sido bloqueado desde sua origem, devido à tamanha desigualdade e influência dos grupos dominantes, impedindo a emergência do nacional-popular, destacam o conceito de diversidade cultural.

A diversidade cultural tem sido apontada em longa data, como elemento caracterizador da identidade brasileira. "Dizer que somos diferentes não basta: é preciso mostrar em que nos identificamos. Mas afinal, em que consiste o nacional?" Renato Ortiz coloca que a identidade nacional está profundamente ligada a uma reinterpretarão do popular pêlos grupos sociais e a própria construção do Estado brasileiro. Não existindo uma identidade autêntica, mas uma pluralidade de identidades, construídas por diferentes grupos sociais em diferentes momentos históricos.

"Nossa identidade não é somente algo que recebemos, ela é ao mesmo tempo nosso próprio projeto."

REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA:

Athias, Renato: A noção da identidade étnica na antropologia brasileira, Dissertação de Mestrado, Universidade de Paris, Nanterre, 1982.

Debrun, Michel: A identidade nacional brasileira, 2006.

Maia, António Cavalcanti: Diversidade cultural, identidade nacional brasileira e o patriotismo constitucional.

Ortiz, Renato: Cultura brasileira e identidade nacional.