segunda-feira, agosto 14, 2006

Joelma Gusmão

NOÇÃO DE IDENTIDADE BRASILEIRA



Os fundamentos da sociedade brasileira se dão por motivos; religiosos econômicos e políticos, tendo como raças fundadoras desta nação; o negro o índio e o branco. Tendo recebido como herança cultural portuguesa, o uso da sociedade de classes, tornou-se uma sociedade complexamente hierarquizada. Determinista sob os pontos de vista, biológico, social, econômico e histórico; o Brasil um pouco antes da proclamação da república e a libertação dos escravos, já não podia mais colocar a culpa das suas injustiças sociais no governo português, portanto teve que buscar seus próprios meios de fundamentar sua identidade cultural.

Com a independência nacional e a aproximação da libertação dos escravos, que era um movimento de luta igualitária, e com a também possível proclamação da república, que era de caráter elitista, que tendia a permanecer com a hierarquia social bem definida, concentrando o poder ainda nas mãos dos senhores de terra; a classe alta social brasileira, tenta manter a situação sob controle através do racismo. Apegando-se a teoria de (Gobineau, Couty,Bucle) vinda da Europa no século XVIII a elite brasileira, obteve respaldo científico para se justificar em relação ao tratamento dado , aos mestiços; raça inferior e absolutamente indesejada por ser fruto da desintegração de raças puras e que não apresentava qualidade alguma, a não ser defeitos.

Segundo Louiz Agassis, zoólogo americano; se alguém tinha dúvidas sobre os malefícios que a miscigenação poderia trazer a raça humana, deveria vir ao Brasil, ver com seus próprios olhos, o que em nenhum outro lugar do mundo poderia se ver com tamanha deteriorização. Sob pontos de vistas extremamente deterministas se deu a formação da identidade nacional brasileira. Pois na época de sua formação acreditava-se, que todas as raças humanas tinham seu lugar e seu papel na história da humanidade. Cada raça tinha seu valor e cada uma delas estava em uma escala diferente da evolução biológica e social. Com certeza o cruzamento dessas raças, que atravessavam fases diferentes na história não traria a humanidade nenhum bem.


O Brasil que teria sido fundamentado nestas três raças; índio, europeu e negro teria, portanto quebrado uma norma importante, para sua manutenção de seu bom andamento na escala evolutiva, comprometendo-se desta forma; a formação de um povo puro e vigoroso. A superioridade do europeu branco sempre foi considerada indiscutível, portanto, as relações de intimidade e apreço que viessem a ocorrer entre um senhor e um escravo, se davam não porque havia um "elemento do caráter nacional português" como afirmou Gilberto Freire, mas sim porque não havia risco algum de confusão entre eles. Estava bem clara a idéia para ambos os lados "um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar".

Ainda hoje, a diferença de classes permanece no Brasil, sua existência fortalece o racismo à moda brasileira que, não se assume, não se aceita, mas, que, no entanto se dá de maneira tão abrangente e constrangedora. Antes fortalecida até pelas idéias religiosas que ilustravam um céu com anjos, arcanjos e querubins, ambos abaixo de Deus, vivendo numa hierarquia santa. Hoje sem respaldos morais e éticos, porém mantidos, sobretudo pela manutenção dos privilégios dos mais fortes. Embora tudo isso tenha contribuído para que a nação brasileira seja racista como é; a esperança de mudança não está perdida. Em primeiro lugar já mostra reconhecimento de seu real estado, embora isso não seja fator determinante para mudança, com certeza já é o primeiro passo, para que os direitos sociais morais e políticos venham um dia a serem respeitados.