quarta-feira, agosto 30, 2006

Emanuel Nascimento de Brito

IDENTIDADE NACIONAL

 

A identidade nacional no Brasil vem com o passar dos anos sendo questionada pelos intelectuais e pelo povo. Até algum tempo nossa identidade era a do europeu conquistador, sendo ignorado o índio nativo que foram dizimados pelo homem branco e o negro que para cá vieram como escravos e também deram sua contribuição na miscigenação do povo brasileiro.

Esses dois povos, o índio e o negro, eram considerados raças inferiores, não podendo no entanto, serem levados em consideração na formação de um povo.

No século XIX, começaram as manifestações populares contra a escravidão e o número de escravos fugidos era cada vez maior, dando cada vez mais força aos quilombos, comunidades de escravos fugidos que não aceitavam a condição de escravo e não aceitavam sua inclusão na sociedade colonial.

A crítica também era contra as distinções raciais entre a população livre. Esses movimentos antecederam a lei do Treze de Maio que acabou legalmente com a escravidão no Brasil.

Mas, no Brasil de hoje, ainda existem distinções raciais. Distinções estas que dificultam a definição da identidade nacional. Que num momento se valoriza um grupo que na realidade é marginalizado pela sociedade.

No início do século XX houve um incentivo para a imigração européia, valorizando-se assim, o imigrante e desvalorizando outras raças e consequentemente a mestiçagem aqui existente, que era considerada um problema para a construção da unidade nacional. Porém, nessa mesma época, há uma preocupação das elites com a ausência de uma unidade nacional e a partir daí se cria um projeto de valorização do mestiço. Um importante representante dessa valorização é o livro "Casa Grande & Senzala" de Gilberto Freire.

Na Semana da Arte Moderna, em 1922, houve o esforço de artistas, intelectuais e escritores brasileiros em valorizar o que é nosso, procurando criar uma identidade própria.

Nossa identidade nacional se encontra dentro desse mito das três raças, onde ao mesmo tempo que se valoriza o mestiço e as três raças originais, encobre-se uma sociedade onde se predominam as desigualdades sociais, raciais e o preconceito.

 

A identidade brasileira sofre o choque de várias teorias na tentativa de melhor defini-la, mas como não é algo palpável, concreto, é algo flexível, portanto, difícil de ser percebido, daí a dificuldade de defini-la.

Há também um choque entre a cultura nativa e a do colonizador europeu que aqui dominou e uma grande miscigenação de raças ao longo dos séculos. A construção de uma identidade é uma construção simbólica, que começou a ser defendida sob a forma de sentimento nativista.

Hoje existem várias teorias sobre a identidade brasileira. Há uma valorização da mestiçagem onde tem por base a formação a partir do índio nativo, o branco português e o negro africano. Existe a valorização de traços gerais característicos, chamado de caráter nacional, onde se coloca a imagem do homem cordial, receptivo, camarada, educado, alegre e emotivo, caracterizando assim, uma identidade própria. Destaca-se também a cultura popular como emblema de brasilidade, como as mulatas brasileiras e o samba que representa o Brasil em todo o mundo.

Valoriza-se também a identidade indígena como brasileira por terem sido estes os primeiros habitantes desse país, dando ênfase a sua cultura.

Diante de tanta diversidade, não se pode negar que ainda há a influência dos paises dominantes economicamente aos quais o Brasil é subordinado, que nos acrescenta características que se confundem com as tantas já existentes e que passam a fazer parte de nossa identidade