segunda-feira, agosto 14, 2006

Edinoan Padre da Silva

Identidade Brasileira


Falar em uma identidade nacional no Brasil é bastante complexo, pois, não se tem uma única idéia sobre esse assunto. Vários autores destacaram-se por dar uma base argumentativa, ao passo que a população, principalmente, a burguesia nacional, começava a sentir uma necessidade de uma “homogeneidade” brasileira.

Numa visão bem aproximada do autor Darci Ribeiro, essa noção de identidade deu-se com tradições culturais bastantes diversificadas, formações sociais degradadas que se enfrentam e dá origem a miscigenação de um povo novo.

Ao tentar explicar o povo brasileiro, ele remete a uma etnia nacional, diferente culturalmente de suas matrizes transformadoras, fortemente mestiças, porém, singularizada pela redefinição de traços culturais delas oriundos.

Novo, inclusive, pela alegria plena desse povo, embora, seja tão sofrido. Não podendo esquecer também, que é a origem de um modelo de estruturação societária, o qual, dá origem a uma forma singular de organização sócio-econômica, fundamentada em um renovado escravismo e uma servidão continuada no mercado mundial.

Já o pensamento de Renato Ortiz, em “O Mercado de Bens Simbólicos”, retrata uma formação fundamentada na ideologia da educação moral e cívica. Nas escolas a necessidade de construir a nacionalidade cultural era através da atividade pedagógica. Medidas essas semelhantes às adotadas pelos europeus no final do século XIX.

O autor aponta que no Brasil a questão da nacionalidade foi um projeto dos anos 30 a 50 e é nesse período que a mesma se impõe com toda sua força. Ele esclarece o problema da integração tendo por função o preparo, a orientação, a edificação de uma palavra, a cultura de massa. Como exemplos temos a utilização do cinema como aparelho pedagógico e semelhante a esse fato, a preocupação do Estado com relação à radiodifusão. Ou seja, a cultura de massa dá uma idéia de homogeneidade nacional, embora, se perceba um tanto fragilizada, melhor dizendo, alienadora. Em detrimento, nasce uma forte ideologia americanizada.

Com o autor Gilberto Freyre, tem-se uma visão da valorização da democracia racial, colocando o mestiço como sendo superior. Nesta visualização, consegui-se perceber uma idéia de igualdade racial em relação a contribuição da nacionalidade brasileira, tendo cada raça sua participação especial na construção da nação. Nesse contexto, cada raça possuía seu lugar na hierarquia de uma maneira natural. Tendo-se como exemplo a relação aparentemente amigável entre o escravo que trabalhava nos engenhos com o seu senhor, o proprietário das terras.

Apesar de posições diferenciadas entre os autores aqui citados, todos partem de uma necessidade da identidade almejada, todavia, com o crescimento do país em meio a diversificação de etnias, costumes e valores, precisava-se de uma certa homogeneidade política, cultural e social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RENATO ORTIZ, MERCADO DE BENS SIMBÓLICOS;

DARCY RIBEIRO, O POVO BRASILEIRO;

GILBERTO FREYRE, CASA GRANDE E SENZALA.